Artigos

Artigos publicados sobre assuntos de seu interesse sempre atualizados.

Príncipe Dom João de Orleans e Bragança

Príncipe Dom João de Orleans e Bragança é bisneto da princesa Isabel e do Conde D’Eu. Fotógrafo, ele tem oito livros publicados que retratam a sua trajetória profissional. Em Piauí: luz do mar e do sertão, focalizou as pessoas e a cultura do estado nordestino, depois que realizou uma viagem de três mil quilômetros de carro durante dez dias, em 2007. Já fotografou também outras partes do mundo. João tem 60 anos recém-completados e é o descendente mais popular do Imperador D. Pedro II, mas conquistou também respeito por seus trabalhos de resgate histórico e seu grande interesse ambientalista.

Empreiteiras reincidentes

Nota: Artigo Publicado na Folha de São Paulo. Em uma sexta-feira, 8 de maio de 1987, a Folha trazia na seção de classificados 'Negócios. Oportunidades' um pequeno anúncio que foi o começo da descoberta do 'clube', ou quadrilha, das empreiteiras. O jornalista Janio de Freitas obteve informação de que os 18 lotes da concorrência da ferrovia Norte-Sul tinham sido previamente divididos pelas empreiteiras Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Mendes Júnior, além de outras 'principiantes'. Isso foi há 27 anos e o presidente da República era José Sarney. Jânio publicou em código, no mesmo dia em que seriam abertos os envelopes com o resultado da concorrência, a letra 'L', de lote, e em seguida as iniciais de cada empreiteira que, conforme o acerto entre elas, escolhera o trecho e o preço que mais lhe agradava. Caso denunciasse antes, o 'clube' mudaria os resultados. Cinco dias depois, foram todos desmascarados na Folha. A estatal Valec e Ministério dos Transportes –e o ministro José Reinaldo Tavares– ficaram na mesma saia justa em que hoje estão as reincidentes empreiteiras e os corruptos da vez. A concorrência foi anulada, ninguém foi incriminado e meses depois o mesmo grupo dividiu de novo o butim. O vice-presidente da República, Michel Temer, disse, em relação ao assalto à Petrobras, que deve haver uma 'repactuação de eventuais exageros'. Não é exagero, é roubo! Em outras palavras: 'Todos sabemos disso há décadas, é assim que funciona mas já que descobriram...'. São dezenas de bilhões de reais, metade sem licitação, com as mesmas empreiteiras que cresceram no regime militar sem imprensa livre e fizeram fortunas que se multiplicaram às custas de cartéis, comprando partidos e políticos, financiando campanhas, fraudando concorrências e decidindo preços de obras. Tornaram-se especialistas em grandes obras e o fazem com qualidade. Mas nunca tiveram que disputar com as melhores empreiteiras do mundo, pois temos uma lei que dificulta a entrada de estrangeiras. As doações de empreiteiras para campanhas são propinas oficiais com nota fiscal! São inidôneas, sim, têm que ser punidas e os responsáveis, inclusive sócios controladores, se culpados, também. Até quando políticos aceitam e dizem que a ética da política é diferente? Será que Dilma, Lula, Maluf, Collor e Sarney viraram farinha do mesmo saco? Até quando melhorar a vida dos mais pobres, dar Bolsa Família para 50 milhões de brasileiros e outros programas sociais totalmente necessários fará com que o governo ache que tem salvo-conduto para maracutaias? Alguns acreditam que os fins justificam os meios e que a corrupção para a 'hegemonia e tomada de poder' é válida. A dura e longa construção de nossa democracia pode estar sendo enfraquecida por aqueles que se acham superiores às instituições. Que o DNA autoritário do PT sofra uma mutação democrática. O Brasil não pertence a um partido nem a uma ideologia. O Brasil é um 'país de todos'. Que Lula e Dilma fiquem na história por terem incluído socialmente milhões de brasileiros, não por terem flertado com projetos de poder a qualquer custo e por terem passado a mão na cabeça de corruptos e traidores do Brasil.