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Gabriel Chalita

Gabriel Chalita é doutor em Filosofia do Direito e em Comunicação e Semiótica; Mestre em Direito e em Ciências Sociais e graduado em Direito e em Filosofia. Atuou em diversas ONGs – entre elas, a Juventude Latino-Americana pela Democracia.


Quando mudam as estações

Há uma canção de Beto Guedes que fala da chegada do mês de setembro que traz, consigo, a primavera. Fala de perdão. Fala das canções, das vozes que as entoavam e dos seus sonhos. Há aqueles que se perderam no caminho.E choraram. Mas o - sol de primavera - anuncia novos tempos. É que, às vezes, permanecemos com os mesmos erros. A lição sabemos de cor/Só nos resta aprender. Com as estações, mudam algumas características de tempo e temperatura. Mas não é disso que trata a canção. É nela que nos inspiramos para sugerir que os comportamentos evoluam. Quanto desperdício em permanecer nos erros que sufocam. Há colecionadores de malfeitos. Os próprios e os alheios. E não há estação que resolva os problemas dos que estacionam. Dos que não progridem. Dos que não aproveitam - o sol de primavera - para derreter as friezas que os adoeceram. Ódios acumulados, ausência de perdão, estranhamentos por acidentes corriqueiros. Uma vida com esses dissabores perde o sabor. Essas lições nós sabemos, porque observamos quanto de dor a história registra de histórias que poderiam ter tido outros enlaces. Lamentamos o próximo que não se aproxima de quem ama. Entristecemo-nos por aqueles que, envoltos em agressividade, entristecem. Marcas que ficam se delas não cuidarmos. Mas passam as estações. Passa a vida. E talvez mais rapidamente do que gostaríamos. O tempo dos desperdícios cobra seu preço. Na primavera, que chegou na semana passada, ou em qualquer estação, afeiçoemo-nos ao melhor da vida. Não percamos tempo. Abramos, como quer o compositor, - as janelas do nosso peito - e vivamos. Com o sol que nos aquece ou com a chuva que aguardamos tanto para nos alimentar do necessário e para limpar o que chegou a hora de esquecer. Fonte: Diário de S. Paulo.