Artigos publicados sobre assuntos de seu interesse sempre atualizados.

Marcelo Nóbrega da Câmara Torres (Angra dos Reis, RJ, 1950) é formado em Direito e em Comunicação Social pela UFF, é jornalista, escritor, editor, consultor cultural, humorista, cachaçólogo, consultor de cachaças e o único degustador profissional de cachaças em atividade no mercado. Desde a juventude, atua como criador, consultor, crítico, administrador e realizador em diversas áreas da Cultura. É autor dos livros: Crítica à Cultura Brasileira (Coronário, 2ªed., 1986); Ipanema de A a Z, Dicionário da vida ipanemense, com Mário Peixoto (Cohen, 1999); Caminhos cruzados - a vida e a música de Newton Mendonça (Mauad, 2001); Cachaça Prazer Brasileiro (Mauad, 2ª ed., 2017); Cachaças bebendo e aprendendo - Guia prático de degustação / drinking and learning - Practical guide to tasting (impresso e e-book, Mauad, 2006-17, e como áudio book, Livro Sonoro, 2009); e Ficha de Degustação de Cachaças Marcelo Câmara (Mauad, 2017). Publicou centenas de trabalhos de Crítica e Política Cultural, Comunicação, Humor, Artes, Ciências Humanas e Sociais, em veículos do Rio, Niterói, São Paulo e Brasília. No Rio, fez Televisão e Teatro profissionalmente. Produziu textos para Cinema, Audiovisuais e Shows Musicais, estes apresentados por ele. Repórter Especial do Jornal do Brasil (RJ, 1975) e Repórter de O Globo em Brasília, assinou colunas em dezenas de veículos de Niterói, Rio, Brasília, Angra e Paraty. Criou e editou, com o seu amigo Darcy Ribeiro, de quem foi assessor e editor no Senado Federal, a Carta' do Senador Darcy Ribeiro, à época, a mais importante publicação cultural e política do País. Redigiu e editou o jornal Goles & Tragos, da extinta Confraria do Copo Furado (1994-7, RJ), criada e presidida por ele. Participou de dezenas de antologias. Fonte e personagem de diversas reportagens, filmes e vídeos sobre temas da Cultura Brasileira, é Consultor Legislativo do Senado Federal, aposentado, onde ingressou por concurso público e trabalhou como o único especialista em Cultura. Mantêm escritório de Consultoria Cultural na cidade do Rio de Janeiro. Possui o Título Honorário de Cidadão Paratiense. Website: www.ilhaverde.net | Blog: blogmcamara.blogspot.com.br
RESUMO DO PERFIL DO PARATYENSE CÂMARA TORRES JOSÉ AUGUSTO DA CÂMARA TORRES (* Caicó, RN, 22.6.1917 - Niterói, RJ, 22.8.1998) Jornalista, Educador, Advogado e Político. O MAIOR LÍDER COMUNITÁRIO E POLÍTICO DE PARATY E DO EXTREMO SUL FLUMINENSE NO SÉCULO XX Técnico de Educação, Chefe da Inspetoria Regional de Ensino (1941-1953) Deputado Estadual por quatro legislaturas, representando Paraty e Região (1954-1970) Membro do Conselho Estadual de Educação (1961-1962) Consultor Técnico de Educação do Estado do Rio de Janeiro Secretário Estadual do Interior e Justiça (1968) Secretário Estadual de Serviços Sociais (1971) Advogado militante em Paraty e Região (1943-1998) Cidadão Honorário de Parati (Lei Municipal 242, de 8.8.1959) Título recebido a 22.6.1960 Criador e modernizador de toda a estrutura física de Educação Pública de Paraty e do Extremo Sul Fluminense, implantando administração, pedagogia, didática e serviços de excelência, adaptados à realidade regional, que alfabetizou e formou várias gerações de paratyenses. a) Defensor, realizador, apoiador e divulgador do patrimônio histórico, social, ecológico e cultural, material e imaterial, de Paraty, participando e promovendo, diretamente e com proeminência, a vida cultural do município. b) Autor de diversos trabalhos nas áreas da Política, História, Folclore, Educação, Sociologia, Economia, Direito, Literatura e Artes, que integram a Cultura Paratyense. c) Foi um dos responsáveis pela decisão de a União Federal patrocinar o Plano de Desenvolvimento Integrado e Proteção do Bairro Histórico do Município de Paraty (1970-2) e de a EMBRATUR elaborar o Projeto Turis (1970-3), apoiando politicamente ambos os instrumentos, fundamentais para a realização das vocações do município e sua entrada no Século XXI. d) Deputado Estadual na Assembleia Legislativa, reivindicou e obteve para Paraty, durante décadas, junto aos Governos do Estado e da União, a implantação, manutenção e ampliação de serviços públicos de Educação, Cultura, Saúde, Energia, Justiça, Telecomunicações, Segurança, Transportes, Água e Saneamento, Meio Ambiente, Assistência social, entre outros. e) Viabilizou e apoiou, como parlamentar e líder político, por mais de quarenta anos, inúmeras parcerias da Prefeitura de Paraty com os governos e órgãos estaduais e federais, para a execução de ações visando ao desenvolvimento socioeconômico, político e cultural do município. J. Augusto da Câmara Torres & Paraty Neste ano de 2017, no qual se celebra o Centenário de José Augusto da CÂMARA TORRES (1917-2017), Castro Associados homenageia a memória do ilustre Homem Público, primeiro a receber o "Título de Cidadão Honorário de Parati", em 1960, com a publicação de dois trabalhos do seu filho, também Cidadão Paratyense Honorário, o jornalista, escritor, editor e consultor cultural Marcelo Câmara. Com centenas de amigos em Paraty, Marcelo Câmara (Angra dos Reis, 67), reside em Ipanema, Rio de Janeiro, é Consultor Legislativo do Senado Federal, aposentado, e mantém, há quase trinta anos, Escritório de Consultoria Cultural na Capital do Estado. No próximo mês de junho, quem visitar o site www.ilhaverde.net poderá clicar no link "José Augusto da CÂMARA TORRES" e percorrer, através de várias páginas, a honrada vida e a grande obra desse valoroso paratyense que dedicou quase sessenta anos da sua vida pública a Paraty, sua Gente, sua Cultura e sua História. José Augusto da Câmara Torres (1917-1998), jornalista, educador, advogado e político, foi, no Século XX, o mais importante líder comunitário e político de Paraty e do extremo sul fluminense. Em quatro legislaturas consecutivas, e com votações crescentes, de 1954 a 1970, cumpriu mandatos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, representando, prioritariamente, o povo de Paraty, Angra dos Reis, Rio Claro e Mangaratiba. Ocupou, ainda, as Secretarias de Estado do Interior e Justiça e de Serviços Sociais, e foi membro do Conselho Estadual de Educação. Era considerado um dos maiores especialistas e executivos em Educação e um dos mais brilhantes advogados do País, destacadamente nas áreas do Direito Civil e do Direito Constitucional. Na sua carreira política, sempre recebeu votos em todos os municípios fluminenses, porém a sua base era os municípios de Angra dos Reis e Paraty, onde Câmara Torres militou politicamente por mais de quarenta anos, recebendo dos paratyenses votações maciças, que chegaram a ultrapassar os 90 por cento dos votos válidos. Em toda a história constitucional do País, três deputados representaram Paraty: os dois primeiros foram os paratyenses de nascimento José Luiz Campos do Amaral no Império, e Samuel Costa na primeira República; o último foi o paratyense honorário José Augusto da Câmara Torres. Em Paraty, advogou por mais de meio século, trabalhou como Chefe da Inspetoria Regional de Ensino e como Técnico de Educação, sendo o responsável pela instalação e ampliação de toda a rede de educação pública do Município. De 1942 até a sua morte em 1998, ele foi o protagonista das grandes conquistas socioculturais e econômicas de Paraty e da região. Era aposentado como Consultor Técnico Estadual de Educação e como advogado, viúvo da professora Gertrudes Nóbrega da Câmara Torres - a Dona Tudinha - mestra de gerações de angrenses, falecida em 1989. Sua casa, primeiro em Angra, depois em Niterói, sempre foi chamada de "a embaixada de Paraty", aberta aos paratyenses de todas as classes sociais e cores políticas. Na cidade de Paraty, possuía uma casa onde, ele, juntamente com os filhos e netos, conviveu, até os seus últimos dias, com o povo de Paraty. Fiel e dedicadíssimo à comunidade paratyense, Câmara Torres entregou a Paraty, com elevada dignidade e correção, mais de cinquenta anos de vida pública. O seu generoso coração sempre esteve ocupado por esses dois municípios que ele chamava de pátrias íntimas: Angra dos Reis e Paraty. Ou melhor, como lembrou um amigo de Câmara Torres no seu funeral: Ele só tinha olhos, amor e trabalho para o Extremo Sul Fluminense; o resto vinha depois. Do início dos anos 1940 até a sua morte, não houve iniciativa ou conquista para o povo de Paraty e da região que não contasse com a sua liderança ou participação decisiva. Por isto, Paraty muito lhe deve como educador e político de muitas lutas e grandes realizações. Ergueu e inaugurou, em 1948, o Grupo Escolar Samuel Costa, na sede do município, e, de 1942 a 1953, além de construir toda a rede de educação pública do município, triplicou o número de escolas e de matrículas do ensino fundamental. Criou a merenda escolar em Paraty e em todo o sul do Estado, e participou decisivamente da implantação dos cursos de segundo grau no município e na região. Levou a Educação aos pontos mais distantes de Paraty e de todo o extremo sul fluminense, legislando intensa e continuadamente na Assembleia Legislativa nas áreas da Educação, da Cultura e da Ecologia. Pugnou, com altivez, pelo ensino público de qualidade e pela valorização dos professores. Até a sua morte, foi "o deputado das professoras", "o político da educação pública", um batalhador pelo ensino público de qualidade e por condições dignas de trabalho para os profissionais da educação. Por sua obstinada e desvelada dedicação ao povo paratyense, a Imprensa algumas vezes o criticava pejorativamente como sendo o faz-tudo do povo de Paraty. EDUCAÇÃO E CULTURA Nascido em Caicó, no Rio Grande do Norte, José Augusto da Câmara Torres chegou a Niterói com 13 anos, já com experiências no jornalismo, revelando-se precocemente um intelectual de talento, orador, ensaísta e líder estudantil católico. Na juventude, fundou e editou jornais e dirigiu instituições culturais em sua terra natal e em Niterói. Foi aluno do Colégio Salesiano Santa Rosa e do Liceu Nilo Peçanha, formando-se pela Faculdade de Direito de Niterói. Lecionou História do Brasil, Língua Portuguesa e Literatura nos Colégios Salesiano, Icaraí e Nossa Senhora das Mercês. Em 1939, foi aprovado em rigoroso concurso público de provas e títulos, quando defendeu tese, escrita e oral, sob o tema Educação Moral e Cívica, sendo nomeado Inspetor Regional de Ensino, e designado, em 1942, para a chefia da 1ª Inspetoria Estadual de Ensino, no extremo sul fluminense, com sede em Angra dos Reis, onde, recém-casado, foi residir. Dois anos depois, é novamente brilhantemente aprovado, também com defesa de tese, oral e escrita, sob o tema A Inspeção Escolar na Escola Primária, em concurso público de provas e títulos para as funções de Técnico de Educação do Estado do Rio de Janeiro. Em poucos anos, revoluciona a educação em Paraty e em todo o extremo sul do Estado, construindo e ampliando toda a rede pública de ensino, introduzindo uma moderna gerência de administração escolar, novas técnicas de ensino e metodologias didático-pedagógicas de vanguarda, que valorizavam o professor, as culturas locais e integravam a comunidade à escola. Introduziu a merenda escolar em toda a região, que encontrou com pouco mais de trinta escolas, deixando-a, em 1953, com mais de uma centena de unidades. Triplicou o número de crianças matriculadas na região, de 2 mil para 6 mil estudantes. Promoveu, ainda, um intenso movimento cívico e cultural em Paraty e em todo o litoral sul-fluminense, ajudando, decisivamente, na criação de ginásios, cursos de segundo grau, profissionalizantes e extracurriculares, além da realização de exposições, semanas de estudos pedagógicos, entre outros eventos que marcaram época. Nunca o ensino público atingiu níveis tão altos de qualidade, de proficiência e eficácia em Paraty e em todo o extremo sul fluminense. José Augusto da Câmara Torres foi, fundamentalmente, um homem de Cultura. Mais que isto, um homem da Cultura Fluminense, da Cultura Paratyense. Seu curriculum profissional nos apresenta um trabalhador intelectual fértil, produtivo e brilhante: jornalista profissional aos treze anos, liderança estudantil e tribuno desde os quinze, professor aos dezoito, escritor de obra reconhecida e técnico de educação aos vinte e dois anos. Depois, advogado, jurista, político. Câmara Torres não foi apenas um homem de Cultura, um homem da Cultura, uma personalidade do Jornalismo, das Letras, do Magistério, da Política, da Advocacia Fluminense. CÂMARA TORRES FOI UM HOMEM DA CULTURA PARATYENSE, um operoso criador, um notável agente que realizou, difundiu e desenvolveu a Cultura da terra de Samuel Costa. Seu espírito humanista, seu trabalho cívico, comunitário e político em favor da Cultura em Paraty, estão em cada rua da cidade, em cada praia, nas matas, lavouras e grotões do município, onde, semeou fé e esperança, plantou escolas, alfabetizou, formou e ensinou cidadania a milhares de crianças e jovens. Cada escola que construiu transformou-se em um centro de realização e promoção cultural, onde a história, o patrimônio, as referências, o homem paratyense eram valorizados e promovidos, em sintonia com a história do Estado e da Nação. No Estado do Rio e em Paraty, Câmara Torres empreendeu inúmeras ações culturais, associando-se a instituições e lideranças da terra para atuar como o estudioso, o professor, o administrador, o político, que empreendeu, gerenciou e sustentou inúmeros projetos culturais. Na sua condição de educador e político, idealizou e apoiou muitos eventos, foi um ágil e produtivo animador cultural, um realizador bem sucedido, catalizando interesses, sentimentos e aspirações da gente paratyense, transformando sonhos em obras, em fatos culturais de relevância. Câmara Torres foi um estudioso e um tenaz defensor, como educador, advogado e político, do patrimônio cultural de Paraty. Por mais de cinquenta anos, ele foi o grande incentivador e apoiador das manifestações populares e folclóricas em Paraty, suas festas e celebrações religiosas e profanas. Câmara Torres foi o interlocutor, antes de 1950, do grande Luís da Câmara Cascudo, membro ilustre de sua família, promovendo o diálogo entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e a União, visando aos primeiros apoios e estímulos à pesquisa e aos estudos do Folclore fluminense, que resultaram na criação da Comissão Fluminense do Folclore. Na década de 1960, Câmara Torres levou a Paraty o seu amigo e grande folclorista Edson Carneiro, liderando um grupo de pesquisadores de prestígio nacional, para conhecer in loco expressões do Folclore Paratyense, depois registradas em artigos e ensaios editados em revistas especializadas. Em 1960, afirmou-se como o grande apoiador das comemorações dos Trezentos Anos de Paraty, e, também, em 1967, como um dos principais realizadores dos festejos do Tricentenário da Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty. Por iniciativa de Câmara Torres, nasceram o brasão e a bandeira do município, criações do seu amigo e famoso heraldista Alberto Lima. Todas as instituições socioculturais e esportivas de Paraty sempre tiveram nele um amigo valioso, um apoiador incansável. O seu notável trabalho como técnico de educação em Paraty, o seu fecundo munus político de deputado estadual e dirigente partidário, fizeram de Câmara Torres o orador dos grandes eventos, das inesquecíveis efemérides. Foi o grande incentivador dos estudos sobre a História e a Cultura de Paraty, sobre nós mesmos, sobre o nosso lugar, o nosso papel na vida nacional, os fatos e processos acontecidos na terra de Domingos Gonçalves de Abreu. A inauguração de cada uma das dezenas de escolas que construiu em Paraty traduzia-se numa festa cultural, popular, democrática, onde Câmara Torres ministrava uma aula sobre o patrono de cada unidade, convocava os paratyenses para a sua História, para o exercício da cidadania social e política, práticas tecidas na pesquisa, na reflexão e na ação, a partir de Paraty, a partir da sua gente e da sua História. No seu tempo, cada escola de Paraty, era um centro comunitário de atividades culturais, a célula de uma biblioteca e espaço para as atividades artísticas e profissionalizantes. Câmara Torres criou a rotina de trazer personalidades da Cultura Brasileira para falar ao povo, aos estudantes, aos professores. O seu objetivo era estimular o conhecimento e a autoestima dos paratyenses, favorecer a consciência e a responsabilidade sociocultural e política de cada um e de todos. A partir de 1942, o tema Paraty vai ocupar, prioritária e majoritariamente, a agenda de Câmara Torres, vai habitar toda a sua obra divulgada e publicada, no Jornalismo, na Educação, na Ensaística, na Política. Isto porque, naquele ano, ele visita Paraty pela primeira vez, se apaixona pela terra, e publica em sua coluna Hora Fluminense, em O Estado, de Niterói, o mais importante jornal à época, dois densos e informativos artigos, tratando da problemática socioeconômica do município, das suas belezas e das potencialidades de Paraty, antevendo-lhe um destino promissor nos campos socioeconômico, cultural e turístico. É de sua autoria o primeiro e mais importante perfil biográfico de Samuel Costa, a belíssima e memorável oração que pronunciou quando da inauguração do Grupo Escolar, a 18 de novembro de 1948, na condição de Técnico de Educação e Chefe da Inspetoria Regional de Ensino, no 66º ano de nascimento do ilustre paratyense. Publicou na revista literária Bando, de Natal, Rio Grande do Norte, a única e histórica crônica que narra a morte, em 1944, em Angra dos Reis, do grande Alberto Maranhão, estadista da Primeira República, que após a Revolução de 1930, vive em Paraty, por longos anos. Em 1951, proferiu no Grupo Escolar Samuel Costa, conferência sobre a vida e obra de Sylvio Romero e sua identidade com Paraty, recebendo, à época, do Doutor Nelson Romero, filho do ilustre humanista, carta de regozijo e agradecimento. Reuniu e editou, pela primeira vez, em 1973, os poemas de Samuel Costa, escrevendo a introdução à antologia. Também prefaciou as obras Paraty Caminho do Ouro, de Heitor Gurgel e Edelweiss Amaral, e Silvio Romero, Juiz, de José Alberto da Silva, livro que narra a vida do grande sergipano como "Juiz Municipal do Termo de Paraty", de 1877 a 1879. Como jornalista, professor, advogado e político, em toda a sua vida acadêmica e profissional, em mais de setenta anos de ininterrupta atividade intelectual, publicou livros e centenas de artigos e ensaios nas áreas da Literatura, da História, da Educação e do Direito, além de trabalhos nos campos do Folclore, da Sociologia e da Política. Até a sua morte, participou, ativamente, de diversas instituições e movimentos culturais que agitaram Paraty, muitas vezes fundando entidades e dirigindo campanhas comunitárias. DOAÇÃO E SERVIÇO Afora o seu ingente trabalho, por mais de quarenta anos, como líder e arauto das grandes causas da gente paratyana, não há cidadão ou família em Paraty que não reconheça e não deva a Câmara Torres, uma atitude, um empenho, um gesto, pelo menos uma palavra de compreensão e apoio, em defesa de um direito ou benefício pessoal ou coletivo. Em Paraty, os órgãos e os serviços públicos devem muito à ação contínua e persistente de Câmara Torres, tanto na Assembleia Legislativa, como junto a órgãos estaduais, federais e internacionais. Durante o tempo em que foi deputado, viabilizou os governos dos prefeitos de Paraty, municipalidade pobre, sem recursos, prestando-lhes toda a assistência e apoio, para bem e produtivamente desempenharem os seus mandatos. No final da década de 1960, o Projeto Turis, da EMBRATUR, que tratava da ocupação racional e ecológica do litoral do Rio a Santos, teve em Câmara Torres um defensor entusiasta, corajoso e tenaz. O Plano de Desenvolvimento Integrado e Proteção do Bairro Histórico do Município de Paraty, patrocinado pela União Federal, cuja conveniência foi tratada na UNESCO, órgão da ONU, nasceu das idéias e das ações de Câmara Torres em vários fóruns regionais e nacionais nos anos cinquenta e sessenta, resultado do seu trabalho contínuo pela integração do município ao Estado do Rio e pelo desenvolvimento autossustentável de Paraty. Ambos os instrumentos tiveram o apoio político indispensável de Câmara Torres na Assembleia Legislativa e junto aos governos estadual e federal. Lutou, politicamente, sem pausa, por mais de três décadas, inicialmente pela abertura, depois pela conservação, tráfego regular e pavimentação da estrada Paraty-Cunha. Lutou, incansavelmente, nos níveis estadual e federal, mobilizando até organismos e recursos internacionais, para o asfaltamento da estrada, chegando mesmo a obter compromissos formais de governadores, ministros de Estado e a celebração de contratos entre o Governo do Estado e construtoras, os quais sucessivos governos federais não permitiram que fossem cumpridos. Foi o grande responsável pela abertura da Estrada Angra dos Reis-Paraty e, depois, pela Rodovia Rio-Santos, com outro traçado, é verdade, mais inteligente e preservacionista. Dedicou-se, também, durante toda a sua vida pública, pela manutenção do Serviço de Navegação Sul Fluminense, que oferecia transportes às comunidades da Baía da Ilha Grande. Criticou, durante anos, o funcionamento do presídio na Ilha Grande, que segundo ele, "contrariava as vocações ecológicas e preservacionistas daquele patrimônio, expondo-o a toda sorte de perigos e agressões". Como parlamentar, atuou e legislou destacadamente na área social, em favor da região que representava, especialmente na Educação, Cultura, Saúde, Saneamento, Transportes, Turismo e Ecologia. Promoveu esforços bem sucedidos para implantação e melhoria dos serviços de saúde, saneamento, energia elétrica, transportes e telecomunicações em Paraty e em toda a região. Planejou e viabilizou, como Secretário do Interior e Justiça, a construção do Fórum Silvio Romero, cujo nome foi dado por ele. Criou a Subseção da Ordem dos Advogados de Paraty, instalou-a no edifício do Fórum, dando-lhe o nome de Samuel Costa. Empenhou-se pela manutenção e melhoria do campo de aviação de Paraty, pois foi um pioneiro do transporte aéreo no extremo sul do Estado, construindo, inclusive, com recursos próprios, o Aeroporto de Angra dos Reis. Idealizou e coordenou, em 1970, a Operação Trindade, primeira ação integrada do Estado no sentido da integração e desenvolvimento socioeconômico sustentado da comunidade da Praia da Trindade. Foi o autor da lei que remunerava e dava tratamento especial aos profissionais da Educação designados para trabalhar nas escolas oceânicas, de difícil acesso de Paraty. Irmão e Procurador da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Paraty, era, também, membro da Associação de Caridade São Vicente de Paulo, que mantém o Asilo de amparo à velhice. Cristão e solidário, generoso em todos os seus atos, Câmara Torres jamais deixou de ouvir ou atender qualquer um do povo que o procurasse, fosse ou não seu eleitor ou amigo. Na política, teve adversários, jamais inimigos. Na advocacia, contendores que o admiraram, nunca debatedores odientos. Morreu pobre, sendo visto por correligionários e adversários políticos, como "uma legenda moral de honestidade e trabalho, de doação às causas populares, que fazia dele um homem público por excelência, honrado, leal, destemido e produtivo, com inestimáveis serviços prestados à Paraty e ao Estado do Rio de Janeiro". Os cientistas políticos poderão ver Câmara Torres como "um homem público com uma inexcedível capacidade de doação, um político com uma dimensão humana e social insuperável". Deixou oito filhos, quatorze netos e uma legião de amigos e admiradores no Estado e no País. Entre os seus filhos está o jornalista, escritor, consultor cultural e consultor legislativo do Senado Federal (aposentado), Marcelo Câmara, considerado um paratyense, tamanha é a sua identidade com a gente e a cultura do lugar, e o arquiteto, Marcos Câmara, servidor da Prefeitura de Niterói. Marcelo Câmara, que sempre desenvolveu intensa e múltipla atividade intelectual, herdou, ainda em vida do pai, a rica biblioteca de Câmara Torres, com importantes e raras obras jurídicas, de História, Educação, Literatura, Ciências Políticas e Sociais, e o seu monumental arquivo profissional e pessoal, onde está registrada toda a sua vida como jornalista, educador, advogado e político, inclusive a sua correspondência com líderes e famílias de Paraty, da região, e com personalidades da vida fluminense e nacional, estas desde os anos vinte até a sua morte. LIDERANÇA POLÍTICA Em meados da década de 40, Câmara Torres já era uma vigorosa e irreversível liderança regional. Com a redemocratização do País, em 1945, ingressa no Partido Social Democrático - PSD, e, cinco anos depois, é um dos fundadores e dirigente do Partido Social Progressista - PSP, elegendo-se, por essa legenda deputado estadual em 1954 e, por mais três vezes consecutivas. Funda os diretórios municipais do PSP em Paraty, Angra dos Reis, Rio Claro e Mangaratiba e é eleito Secretário-Geral do partido no Estado do Rio. Em 1958, foi um dos principais articuladores da coligação PSP-PTB-UDN, que levou o amigo e companheiro de lutas estudantis e políticas, Roberto Silveira, ao Governo do Estado. Em 1959, exerce as funções de Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa. No Governo de Geremias de Matos Fontes, ocupa, por alguns meses, a Secretaria de Estado do Interior e da Justiça, onde realiza profícua administração, erguendo fóruns em vários municípios, assistindo e modernizando as prefeituras municipais e revolucionando o sistema penitenciário, com a implantação de projetos pioneiros da educação formal e profissional nos presídios. Em sua gestão, obteve, pela primeira vez, em mais de sessenta anos de tentativas frustradas de tantos governos, a devolução, por parte do então Estado da Guanabara, das áreas, prédios e benfeitorias, onde funcionavam o Presídio do Abraão e a Colônia Penal Dois Rios, na Ilha Grande, não se concretizando a transação, por conta da sua saída da Secretaria, e de sua volta à Assembleia Legislativa. Mesmo ingressando na Aliança Renovadora Nacional ARENA, após o golpe de 1964, lutou, durante o regime militar, contra a instalação da usina nuclear na Praia da Itaorna, em Angra, e esteve preso no Colégio Militar, sendo libertado após dez dias de detenção, sem qualquer acusação formal, com um pedido de desculpas do então comandante da unidade. Antes, fora acusado em Inquérito Policial Militar, por ter intervindo em favor da liberdade e integridade de líderes políticos e comunitários de Paraty, uns presos, outros perseguidos pela Ditadura, a maioria deles, seus adversários políticos. Em 1970, foi o único deputado estadual da ARENA a concorrer a uma vaga na Câmara Federal, não logrando êxito, apesar de expressiva votação, o que o colocou numa primeira suplência por quatro anos, levando-o a um longo jejum eleitoral. Em 1971 assumiu a Secretaria de Estado de Serviços Sociais, iniciando um trabalho em várias frentes, de grande repercussão, com projetos de vanguarda dirigidos aos marginalizados, crianças e idosos, aos portadores de deficiência física e mental, apoiados por governos e instituições estrangeiras e internacionais. Isto provocou inveja e intriga em setores do poder, sendo demitido por exigência da chamada linha dura do regime que infelicitava o País. Em 1986, após dezesseis anos afastado de disputas eleitorais, amigos de Angra e de Paraty lançam o seu nome à Assembleia Legislativa pelo Partido Democrático Social PDS. Obtêm 5 mil votos, é o candidato à Assembleia Legislativa mais votado em Paraty. Entretanto, não se elege, abandonando definitivamente a Política. Com sabedoria e prudência, presidiu o PSP, a ARENA e o PDS, de Angra dos Reis. Do início dos anos 40 até a década de oitenta, não houve empreendimento público, comunitário ou privado em Paraty e no extremo sul do Estado no qual a competência de Câmara Torres não estivesse presente. Visionário, homem de vanguardas, espírito empreendedor, de convergências e de conciliação, sempre liderou ou, pelo menos, influiu, decisivamente, no progresso de Paraty e de toda a região. Mesmo nas iniciativas privadas, onde o interesse e os direitos do povo da região estiveram em jogo, como a instalação dos Estaleiros Verolme, em Angra dos Reis, ou os grandes projetos turísticos na Costa Verde, lá estava a presença dinâmica e articuladora de Câmara Torres resolvendo, incentivando, apoiando, realizando, sempre zelando pelas comunidades, seus valores, direitos e patrimônios. Além de criar e expandir toda a rede de educação pública no sul fluminense, a região lhe deve a edificação das matrizes do seu desenvolvimento socioeconômico, político e cultural, além de conquistas na saúde, nos transportes, no saneamento, na preservação ambiental, no turismo e outras áreas de atuação do Poder Público. Entre os benefícios regionais alcançados graças ao trabalho incansável de Câmara Torres, além daquelas já apontadas, está a conservação das estradas Paraty-Cunha e Rio Claro-Mangaratiba. Sócio Remido e Vice-Presidente do Aeroclube do Estado do Rio de Janeiro, foi um pioneiro do transporte aéreo no Sul Fluminense, onde realizou os primeiros voos em Angra dos Reis e em Paraty, para acudir a população que precisava de atendimento médico de urgência, favorecendo, também, a ida constante de servidores e autoridades públicas ao município. JORNALISTA E ESCRITOR Aos onze anos de idade, José Augusto da Câmara Torres já era um jornalista profissional, quando fundou e dirigiu o veículo estudantil O Ideal da Juventude, em sua terra natal. Mais tarde, também fundou e dirigiu, em Niterói, os jornais Espumas e A Ordem. Antes, no Colégio Marista, em Natal, colaborou no Sete de Setembro. Jovem, militou politicamente ao lado de Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Athayde, Dayl de Almeida, José Arthur Rios, os irmãos Badger e Roberto Silveira, Celso Peçanha, Anselmo Macieira, Vasconcelos Torres, entre outros. Em Niterói, pertenceu ao Centro de Cultura José de Anchieta, do Colégio Salesiano Santa Rosa, e foi um dos fundadores da Congregação Mariana, presidindo a Academia São Francisco de Sales, braço cultural da Congregação. No Rio e em Niterói, escreveu em jornais e revistas, entre eles, Folha Colegial, O Estado, Correio da Manhã, Revista Potiguar, Ariel, Taba, O Gládio, A Ordem e Ariete, Almanaque Ilustrado das Famílias Católicas Brasileiras. Fez crítica literária, de cinema e teatro. Foi correspondente no Rio e articulista da revista Nordeste, de Natal, RN, colaborando, também, em A República, da capital potiguar. Assinou, na década de 40, a coluna Hora Fluminense, espaço nobre na primeira página do diário O Estado, então o maior jornal da Velha Província e redator do antigoServiço de Propaganda e Turismodo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Em Angra dos Reis, publicou no jornal O Sul Fluminense, e assinou, por sete anos, a coluna Aspectos na Folha de Angra, onde também foi secretário de redação. Foi membro da Associação Fluminense de Jornalistas e da Associação de Imprensa Periódica Paulista. Em 1939 e em 1944, respectivamente, circulam, com tiragens restritas, nos meios acadêmicos e técnicos da Educação, as duas monografias, teses de sua autoria, apresentadas em concursos públicos: Educação Moral e Cívica e A Inspeção Escolar na Escola Primária. Aos 22 anos publicou, com Dayl de Almeida, Imortais, livro de ensaios, com prefácio de Alcebíades Delamare. Publicou, ainda, diversos trabalhos de História, Ciência Política, Educação, Folclore e Crítica Literária. Entre esses, destacam-se os estudos pioneiros sobre o paratyense Samuel Costa (1948), já citado, Sylvio Romero (1949, no Grupo Escolar Samuel Costa, em Paraty) e sobre o angrense Lopes Trovão (1947 e 1953). Em 1943, a Biblioteca Municipal Professor Guilherme Briggs, de Angra dos Reis, publica Os olhos verdes na literatura, ensaio e conferência que profere naquele município. Pertencia ao Instituto Histórico e Artístico de Paraty. Era Membro Correspondente da Academia Fluminense de Letras, efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e Sócio Honorário do Ateneu Angrense de Letras e Artes. Integrava a Academia Valenciana de Letras, a Associação Brasileira de Escritores, entre outras entidades culturais. Possuía os títulos de Cidadão Paratyense, outorgado em 1960; de Cidadão Fluminense, do antigo Estado do Rio de Janeiro, de Cidadão Honorário do Estado do Rio de Janeiro, do atual Estado do Rio de Janeiro, e de outros cinco outros municípios fluminenses. Foi agraciado com a Medalha do Centenário de Silvio Romero (1939), pelos seus trabalhos sobre o escritor, com a Medalha do Cinquentenário da República, e com a Medalha Tiradentes, da Assembleia Legislativa do atual Estado do Rio de Janeiro, entre dezenas de outras insígnias. Em Angra dos Reis, presidiu a Subseção da OAB e foi eleito pelos seus colegas de profissão "O Advogado do Ano" por mais de uma vez. Pertenceu a entidades religiosas de Paraty e de Angra dos Reis, sendo, também, Benemérito de dezenas de instituições socioculturais, filantrópicas e desportivas. Foi, enfim, um importante e luminoso personagem da Educação, da Cultura, da História Política Fluminense nos últimos sessenta anos do século XX. MC Nota: Em 2000, o Teatro Municipal de Angra dos Reis, RJ,o mais importante centro cultural da cidade, recebeu o nome de TEATRO MUNICIPAL CÂMARA TORRES, por força de Lei Municipal. Em 2004, a Casa de Cultura de Paraty passou a denominar-se CASA DE CULTURA CÂMARA TORRES, em decorrência da Lei Municipal 1414, resultado de Projeto do então Vereador e Presidente da Câmara, Casé Miranda. Em 2011, o município de Rio Claro, RJ,homenageou-o inaugurando, em Passa Três, a sua mais moderna e bem equipada escola, o CENTRO DE ENSINO MUNICIPAL DEPUTADO CÂMARA TORRES, construído com recursos da União (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação FUNDEB). O Aeroporto de Angra dos Reis, RJ, construído no início dos anos 1950 por Câmara Torres, com recursos próprios, passará a se chamar, em breve, AEROPORTO CÂMARA TORRES. Os municípios de Mangaratiba e Niterói,igualmente, preparam homenagens à sua memória.