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Luiz Fernando Lockmann

Luiz Fernando Lockmann e Souza é graduando em Administração de Empresas pela FGV-SP; e, em direito pela PUC-SP. Autor do livro “As Máscaras de um Crime” (2012) e membro do Bradesco Private Bank – Investment Advisory. Membro do Quadro de Honra da EAESP. Pesquisador e participa de Congressos sobre os temas de direito, economia, ciências sociais aplicadas. Foi, em 2012, editor do Jornal Gazeta Vargas. Tem várias especializações em cursos no exterior, como na London College of Internation Business Studies (2012) e Universidade de Cambridge (2012), Inglaterra.

Uma ode ao Universalismo

Em um mundo de MBAs, CFAs, LLMs, lato sensu, stricto sensu de todos os tipos, nos deparamos com um impulso sistemático de especialização do ser humano. Obviamente é impossível comparar momentos diversos da história, mas é inegável que as relações econômicas e sociais pós-modernas auxiliaram para que se tenha hoje uma massa individualista, especializada e principalmente pautada na chamada obsolescência programada. A redução do chamado universalismo, figura teórica central para o desenvolvimento cientifico e filosófico, se mostrou sistemática com o fomento do consumismo desenfreado e a necessidade da busca pela felicidade instantânea. Há quem diga que as redes sociais como Twitter, Facebook entre tantas outras emburreceram a juventude e a impulsionaram para a mediocridade e para as pequenas guerras de vaidades. Tirando a competição por atenção que de fato foi criado por tais ferramentas tecnológicas, as redes sociais por si só não podem ser responsáveis em tão pouco tempo pela redução da massa crítica da juventude. Veementemente, a opinião mais interessante sobre as redes fala que elas não são responsáveis pela ignorância da maioria de seus membros; elas são somente as janelas mais rápidas e facilmente acessíveis da já implícita ignorância alastrada por anos da mente humana. E onde entra o universalismo? Universalismo entraria como o contrário dessa tendência a ignorância, superficialidade ou mesmo a mediocridade humana. Tal conceito é busca infinita pelo conhecimento amplo de inúmeros setores que a vida humana social e o processo histórico proporcionam. Ao invés de nos pautarmos por competições infantis por atenção, guerras de vaidades por quem têm mais seguidores, ou mesmo que tem o relacionamento mais amoroso, o universalismo vem como a forma de impulsionar o ser humano para compreender melhor sua própria existência e entregar a si mesmo um senso de auto-realização. O expoente maior do universalismo humano, Leonardo da Vinci, pautou sua vida no entendimento a completude do ser pensante, buscando em diversas áreas da vida respostas para suas inquietações. De longe haveria possibilidade nessa atualidade de se desenvolver um Leonardo da Vinci... Existem de fato muitas distrações. É claro que não se faz advocacia da busca única pela genialidade, já que este é um evento incerto e raro de se ocorrer, senão todos nós poderíamos ser gênios. O que se é defendido é redução da busca pela felicidade vazia, vista esta a mercê de uma sociedade consumista e pautada nas discussões medíocres e simplistas de temas de pouca relevância. Advoga-se pelo universalismo em prol de uma necessidade intrínseca de uma completude do próprio ser humano. A máxima a ser resgata é: tudo tem um pouco de perfeição e a perfeição vem de tudo um pouco. Ainda mais agravante a causa do universalismo é essa necessidade social de especialização. Deve a massa trabalhadora se especializar em uma tarefa, mesmo que a tarefa seja a simples e medíocre. E em uma maior escala é possível vermos isso no ambiente acadêmico com a proliferação cada vez mais de trabalhos com objetivos tão específicos que perdem qualquer real beneficio que poderiam trazer a humanidade. Um indivíduo que busca o universalismo como mote e condução de suas ações sofrem constantemente ataques por parte da sociedade medíocre. Quantas vezes essa hostilização vem pelo fato de tais pessoas não participarem dos círculos populares, de não se adequarem ao que é comum, por estudarem ou criarem coisas fora de seu ambiente de trabalho? A pergunta dos medíocres sempre foi e será a mesma: Mas por que você está fazendo isso? Como se fosse necessário uma resposta quase que cartesiana que remetesse a “ganhar dinheiro”, “transar com alguém”, “ser mais popular”, “ser invejado ou amado”. A felicidade para os medíocres é pautados em coisas simples, em resultados pequenos e delimitados, onde o prazer inicial é intenso, mas a duração extremamente rápida. Essa é a diferença do universalismo. A busca já é o prazer. Muito mais do que a própria noção de resultado, a aventura é conseguir conhecer ou conquista um campo outrora desconhecido. A vida se torna mais completa, mais interessante pelo fato de ocuparmos o tempo com diversas questões diferentes e com visões diferentes. Essa é a razão pela qual o universalismo é tão intimamente ligado ao humanismo. Ser universalista é por excelência buscar conhecer mesmo que superficialmente diversos fatos da vida humana para configurar opiniões sobre a própria sociedade. Há por consequência a quebra de preconceitos, o refinamento dos pensamentos e opiniões, e principalmente a ampliação do objeto a ser discutido. Por fim, é importante dizer que a busca pela felicidade momentânea e pela satisfação do desejo não deveria ser o foco da vida do ser humano. Óbvio que é necessário satisfazer desejos, mas estes não podem controlar a vida e as buscas do ser humano. O universalismo, mesmo que tão profundamente reduzido na sociedade pós-moderna, é o ato da busca sim pela felicidade, mas por algo mais amplo, pautado na realidade e infinitamente mais completo. Não existe nada tão delicioso como tomar um chocolate quente, viajando pelas montanhas, discutindo economia e política, em meio um bom jazz, passando La Dolce Vita no fundo do salão e com um bom romance policial em mãos. Não existe nada mais chato que abrir todos os dias de sua vida a mesma página do Facebook solitário em quarto fechado e escuro...